Vida de pássaro/falcão


Vida de pássaro/falcão

Recentemente, ou mais precisamente, no dia 21 de novembro, presenciei um evento natural enigmático, tão complexo que ainda hoje não consigo explicar.

Sei que muitos irão rir, pois, num primeiro momento, o acontecimento foi tão simples que parece nem merecer atenção.

Enfim, o ocorrido foi que presenciei, indiretamente, o primeiro voo de uma ave. Mas claro que não foi isso que me intrigou e ainda intriga ainda hoje. Na verdade, o evento natural enigmático foi o momento que transformou aquele “pintinho” em um pássaro.

Acho que convém contextualizar um pouco mais esse fato.

Então, faz 13 anos que “uma falcão relógio” (sim, esse é o feminino de falcão), faz ninho na churrasqueira da minha casa do sítio. Evento que por si só já é bastante enigmático, pois o apelido dessa ave é “pássaro fantasma”, uma vez que é muito difícil ver um, assim como é quase impossível fotografar um. E eu, tenho um, ou melhor, uma, literalmente na porta da minha casa. Pois então, dessa vez, fui descansar no meu paraíso, no exato momento em que os três filhotes já estavam sendo preparados, pela mãe, para voar. Sei disso, pois instalei câmeras na casa e consigo vê-los, quando sobem na boca da churrasqueira. Confesso que antes disso, só havia visto a mãe falcão pousada na boca da churrasqueira e considerando que ela já deve ter chocado/gerado uns 20 filhotes naquela churrasqueira. Pois então que, num início de tarde, pude ver pelo monitor, a mãe e um filhote na boca da churrasqueira. Depois, mais tarde, olhei discretamente na churrasqueira e dos três filhotes continuavam lá. Nesse período de crescimento, a mãe passa boa parte do tempo caçando, para conseguir alimentar aqueles três marmanjos. No outro dia a história se repetiu. E eis que no terceiro dia do meu descanso, “voilá”, a surpresa, qual seja, só tinha mais dois filhotes no ninho, ou melhor, aquele um estava em preparação, pela mãe, para voar.

E assim, um pássaro nasceu, efetivamente.

Mas qual o “click” que o fez voar? Afinal os outros dois ainda estavam no ninho.

O que lhe deu coragem para se atirar da boca da churrasqueira em direção ao mundo? Uma vez que nos dois dias anteriores ele pulou de volta para o ninho.

Esse “click” é somente físico/orgânico? No sentido dele sentir que está pronto para voar?

Desconfio que não tenha sido uma ordem da mãe falcão: olha, você é o mais velho, estou cansada de tanto buscar bóia para vocês três, o pai de vocês é um folgado que nao ajuda muito, preciso que você vire o homenzinho dessa churrasqueira, digo, dessa família … e eis que o mais velho, sentiu um peso na consciência e resolveu ajudar a mãe (aliás, a velha mãe, que já criou mais de 20 filhotes).

Fiquei pensando na mudança total daquele filhote. Na faceirice dele em voar. Imagina a euforia dele em voar pela primeira vez. Bater as asas e desbravar os céus. Que maravilha não deve ser.

Mas e o click da virada? O click que o transformou em pássaro, como ocorreu?

Teria ocorrido um click assim, no cérebro dos macacos que os fez pensar? Click que não acontece mais, afinal, nenhum macaco evoluiu, nesse sentido, nos últimos 100 mil anos.

Um pintinho que vira uma ave destemida de um dia para outro. Seria um milagre? Milagre da natureza, é claro.

Aliás, esclarecendo o adjetivo “destemida”, quero informar que o falcão é carnívoro, já que é uma ave de rapina. Só imagino o estresse das pombinhas/rolinhas, pois com 5 falcões no ar, o risco de vida delas está altíssimo por lá.

Questionamento final: teria algum “click” tão “milagroso” na nossa vida humana? Ou ainda, na tua vida, já ocorreu um click tão poderoso?




                                                                                                            Tercio Inacio


Comentários

  1. Gostei,por demais,dessa "aventura" do olhar, do cuidar e do perceber os movimentos no fluxo da vida - nesse ninho de Afetos - materno - das belas e (des)"temidas" aves de rapina.Voar...Voar...Criar penas de pássaros e voar... Pois bem, que sigam...

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